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Giovani TST
Editor do Blog Segurança no Trabalho no Brasil

O que é mais dificil na hora de implantar um novo EPI na empresa?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Amianto: um risco silencioso que causa mortes, posicione-se contra este risco!


pulmão doente (asbestose)

Estima-se que sete milhões de pessoas morram de câncer anualmente. Hábitos pessoais e condições de ambiente são responsáveis por 40% dos casos de câncer, o que significa que cerca de 3 milhões de óbitos anuais poderiam ser prevenidos. O ambiente de trabalho é responsável por 4% a 20% de todos os casos de  câncer na população geral. Isoladamente, o amianto é responsável por um terço dos casos de câncer ocupacional e 50% dos casos de câncer de pulmão de causa ocupacional. O amianto é o agente causal de mais de 80%  dos casos de mesotelioma pleural, um câncer raro da membrana que envolve os pulmões, de péssimo prognóstico.
Dados do sistema de informações de Mortalidade do Ministério da Saúde mostram uma curva francamente ascendente de mortes por mesotelioma em São Paulo. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de amianto. Entre 2008 e 2010 a produção aumentou, assim como a importação e o consumo interno.  Em 2010 o consumo estimado foi de 0,9Kg/brasileiro. Entre 1975 e 2005, o mercado brasileiro consumiu cinco milhões de toneladas de amianto traduzido em produção, transformação (produtos de cimento-amianto e outras centenas), instalação, remoção e descarte. Estes produtos estão espalhados pelo ambiente. Não é necessário esforço para entender que o problema extrapola o ambiente de trabalho.
A chance de um cidadão se expor ao amianto, assim como a outros cancerígenos reconhecidos, aumenta na proporção de seu uso. A produção e utilização do amianto tipo crisotila é permitida na maior  parte dos estados brasileiros. A nocividade do crisotila é inconteste, ele é classificado dentro do Grupo 1 das substâncias carcinogênicas  pela International Agency for Research of Cancer (IARC), organismo da OMS. Isto significa que há suficientes evidências experimentais e epidemiológicas que permitem classificá-lo como cancerígeno para  humanos.
A OMS e a Organização Internacional do Trabalho entendem que a única forma de se prevenir as doenças associadas ao amianto é através da cessação da sua utilização. Em adição aos cânceres do sistema respiratório baixo e mesoteliomas, o amianto é, também, causalmente associado ao câncer de laringe e câncer de ovário.
A “utilização segura” do amianto no seu ciclo é enganosa e inviável. Quem controla a sua “utilização segura” na construção civil? Quem controla a sua “utilização segura” em manutenção de máquinas, equipamentos e instalações que o contenham? Quem controla a sua “utilização segura” em reformas e demolições? Quem controla a contaminação de locais previamente utilizados para armazenamento e/ou a produção de produtos contendo amianto? Qual é a necessidade de se manter a sua produção e uso? Há substitutos seguros para todas as utilizações conhecidas do amianto. Nenhuma fibra substituta faz parte da lista de cancerígenos do IARC. Em adição, há estudos que demonstram a viabilidade técnica e econômica de substituição do amianto.
Na última segunda-feira, em julgamento histórico na cidade de Turim, Itália, dois ex-proprietários de um poderoso grupo europeu de cimento-amianto foram condenados a 16 anos de prisão e a vultosas indenizações moentárias, por omissão de informações sobre os riscos associados à manipulação do amianto e por quase 3 mil mortes causadas por doenças associadas ao amianto em ex-trabalhadores e habitantes do entorno de uma da suas empresas, em Casale Monferrato. Boa parte do amianto usado pelo grupo era proveniente da mina de Balangero, Itália, do tipo crisotila.. Em São Paulo, já há algumas centenas de casos diagnosticados de doenças em ex-trabalhadores de indústrias de amianto.
O tempo corre e não faz concessões. O Estados brasileiro se esquiva, repetidamente, do problema, não respeitando o valor constitucional de proteger seus cidadãos. Nos últimos anos, perderam-se diversas oportunidades de proibir seu uso no território nacional. Perdeu-se também a oportunidade de evitar que o risco continue a se estender a populações de outros países importadores do amianto brasileiro.
Boa parte dos casos de câncer é evitável. Hábitos pessoais são voluntariamente adotados e administrados. Porém, o trabalhador não tem essa escolha. Nem pessoas submetidas a exposições inadvertidas.
*Eduardo Algranti é chefe do Serviço de Medicina da Fundacentro. Este artigo foi publicado no jornal O Globo no dia 16 de fevereiro de 2012.

por: Equipe do Blog segurança do Trabalho no Brasil

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Estatisticas de Acidentes: Crescem os acidentes de trabalho na construção civil em 2011

Ano de 2011 elevou em 10% registro de mortes em obras e construções



A retomada das obras de infraestrutura e construção imobiliária elevou o número de acidentes de trabalho que resultam em mutilações ou mortes no Brasil. Entre janeiro e outubro de 2011, pelo menos 40.779 trabalhadores foram vítimas de acidentes graves de trabalho, das quais 1.143 morreram, segundo o Ministério da Saúde. O número total é 10% maior do que o de igual período do ano anterior (37.035).
Os dados do ministério englobam trabalhadores de diversos setores de atividade, mas se referem apenas aos atendimentos na rede de serviços de saúde credenciada do Sistema de Agravos de Notificação (Sinan). Desde 2004, uma determinação do ministério obriga os médicos a notificarem os casos graves de acidentes de trabalho.
Boa parte do aumento de casos fatais resultou de acidentes na construção civil. Até meados de dezembro, por exemplo, 14 trabalhadores do setor morreram na cidade de São Paulo, mais do que o dobro do número do ano anterior (6).
Além disso, vários estudos apontam: os acidentes de trabalho são mais comuns entre funcionários de empresas terceirizadas. Uma pesquisa divulgada recentemente pela CUT mostra que quatro em cada cinco acidentes de trabalho, inclusive os que resultam em mortes, envolvem trabalhadores terceirizados.
As estatísticas da Previdência Social só consideram os trabalhadores formais, que têm carteira de trabalho e pagam o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ficam de fora cerca de 20 milhões de brasileiros que não contribuem para a Previdência, os chamados trabalhadores da economia informal.
Recentemente o governo criou a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, fruto de amplo debate e organização da comissão tripartite formada pelas centrais sindicais, representantes do governo (Ministérios da Saúde, Trabalho e Previdência Social) e entidades patronais. "Um dos principais indicadores que ela traz é a necessidade de que as ações governamentais nesse campo passem a se articular para serem mais eficientes e atingir o maior número de trabalhadores", destaca Carlos Augusto Vaz de Souza, coordenador-geral de saúde do trabalhador do Ministério da Saúde.

 Data: 21/01/2012
Fonte: Agência Estado

por: Equipe do Blog Segurança do Trabalho no Brasil

domingo, 29 de janeiro de 2012

Obras de Infraestrutura serão fiscalizadas de perto pelo MInisterio do Trabalho

MTE cria Grupo Móvel para fiscalizar obras de infraestrutura

Objetivo é aumentar a cobertura e eficácia das fiscalizações das condições de trabalho em obras de infraestrutura energética, logística e urbana. Para 2012 já foram planejadas 30 operações e vão priorizar as atuais fronteiras de desenvolvimento

Brasília, 27/01/2012 – O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estará de olhos atentos às grandes obras de infraestrutura planejadas para os próximos anos. Por meio da Portaria nº 195 publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (27) , o MTE criou o Grupo Móvel de Auditoria de Condições de Trabalho em Obras de Infraestrutura (GMAI) que, em 2012, tem planejadas 30 operações, das quais 22  em obras de infraestrutura urbana, com ações nos 12 estádios que estão sendo preparados para a Copa do Mundo de 2014. Entre 2012 e 2015, o GMAI deverá realizar 120 operações.
O ministro interino do Trabalho em Emprego, Paulo Roberto Pinto, explica que o objetivo do grupo nacional é aumentar a cobertura, eficiência e eficácia das ações de fiscalização de obras de infraestrutura energética (geração e transmissão de energia elétrica; produção, exploração e transporte de petróleo), infraestrutura logística (construção e ampliação de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias) e infraestrutura urbana (obras preparatórias para a Copa do Mundo de 2014), contribuindo com a política nacional de segurança e saúde no trabalho.
As ações irão priorizar as regiões que representam as atuais fronteiras de desenvolvimento, tais como o Norte e parte das regiões Nordeste e Centro-Oeste. Compete ao GMAI inspecionar as obras de infraestrutura em todo território nacional, objetivando promover condições de trabalho adequadas e prevenir infrações à legislação trabalhista em todas as fases do processo de construção desses empreendimentos. Também visa à melhoria das condições de segurança e saúde no trabalho, mitigando ou neutralizando fatores que desencadeiam acidentes de trabalho nas diversas fases da obra.
O grupo é composto por uma Coordenação Nacional – exercida pelo Coordenador-Geral de Fiscalização e Projetos do Departamento de Segurança e Saúde da SIT; uma Coordenação Operacional – exercida pelo Chefe do Serviço de Planejamento e Acompanhamento; e um Grupo Operacional constituído por Auditores-Fiscais do Trabalho de todo Brasil com formação multidisciplinar que irão integrar as quatro equipes permanentes do grupo. Essas equipes irão trabalhar em conjunto com os auditores das regionais onde as inspeções forem realizadas, possibilitando, além da troca de conhecimento, o acompanhamento pela regional do andamento das ações após a saída do grupo móvel.

Fonte: Portal MTE
por: Equipe do Blog Segurança do Trabalho no Brasil